A gente escuta falar o tempo inteiro sobre aquecimento global, o aumento das temperaturas no planeta. E sobre os perigos que representa para o futuro da humanidade. Mas como fazer o caminho inverso?
Ou seja, resfriar o planeta e evitar as catástrofes que viriam com o aumento das temperaturas? Sou Nathalia Passarinho, da BBC News Brasil, e neste vídeo vou falar sobre os caminhos que a ciência aponta para reverter o problema do aquecimento global. Começando com uma boa notícia: atualmente, muitos cientistas estão trabalhando em maneiras inovadores de resfriar artificialmente o planeta.
Mas enquanto isso não acontece, existe um grande consenso entre eles de que a primeira coisa a ser feita é deter o principal motivo do aquecimento global. Falo aqui do excesso de dióxido de carbono que se acumula na atmosfera por causa da atividade humana. Atualmente, essa emissão chega a 33 bilhões de toneladas anuais.
Como essas palavras às vezes soam abstratas, vamos recorrer a uma metáfora. Imaginemos essa camada de dióxido de carbono que se forma na atmosfera como um cobertor sobre a Terra. Esse cobertor não permite que, depois de ser aquecida pela radiação solar, a Terra emane energia de volta para o espaço.
Isso é chamado de Efeito Estufa. Segundo o consenso científico, essa é a principal razão pela qual o mundo passou de um aumento médio de temperatura de 0,06 graus celsius, em 1970, para 1,16 graus Celsius nos dias de hoje. Portanto, caso a gente queira reverter esse problema, precisamos fazer esse cobertor ficar mais fino e assim reter menos calor.
Para isso, precisamos reduzir as nossas emissões de carbono para a atmosfera. Mas como isso pode ser feito? Vamos trocar de metáfora.
Pensemos agora numa banheira. E que, quando abrimos a torneira, ela se enche de dióxido de carbono. O que podemos fazer, então, para que a banheira não transborde?
Vamos por partes. O primeiro passo para evitar que a banheira transborde é fechar a torneira. Ou seja, reduzir as emissões de dióxido de carbono e ver o impacto que isso teria na temperatura do planeta.
Podemos observar isso com uma ferramenta desenvolvida pelo Climate Interactive, um Think Thank que, junto com o prestigiado Instituto Tecnológico de Massachusetts, o MIT, na sigla em inglês, é um dos pioneiros do mundo na coleta e análise de dados de emissões de gases de efeito estufa, entre eles o dióxido de carbono. Os climatologistas que desenvolveram essa ferramenta apontam que existem 6 áreas-chave no que diz respeito à emissão de carbono. Por isso, o aquecimento global poderia ser reduzido se medidas forem tomadas nesses setores.
São eles: Número um, Fornecimento de Energia. Dois, transporte. Três, construções.
Quatro, crescimento populacional e econômico. Cinco, emissões relacionadas ao uso do solo. E seis, remoção de carbono.
Se as coisas continuarem como estão agora, as previsões são de que chegaremos a 2100 com quase 4 graus a mais de temperatura. O problema é que, para nos mantermos em um patamar de segurança, não deveríamos exceder um aumento de 1,5 grau até 2100. Se usarmos o sistema do Climate Interactive e mexermos nas variáveis, uma primeira conclusão chama atenção: A redução das emissões não pode ser feita apenas com uma ação.
Mas com várias ao mesmo tempo. Mas existem algumas áreas que geram um maior impacto neste sentido. E também o maior custo econômico.
Estamos falando de Fornecimento de Energia e Transporte. E para reduzir emissões nessas áreas, as medidas que precisam ser tomadas são radicais. Envolvem substituição da matriz energética que hoje governa o mundo, como petróleo, gás e carvão, por fontes renováveis, mais limpas e não poluentes.
Mas que medidas poderiam ser tomadas? Uma ideia seria aumentar o preço do carbono. Ou seja, estabelecer um preço global de carbono que faça com que as fontes de energia fiquem mais caras conforme a quantidade de carbono que liberam.
Mas também não dá para tratar isso como uma solução mágica. Isso porque energia mais cara significa produção mais cara e produtos mais caros, o que pode afetar o desempenho econômico global. Além disso, esse imposto sobre os produtores de energia poderia significar um custo maior para os consumidores finais, gerando um impacto no bolso dos mais pobres.
Fora que há uma resistência grande à essa mudança por parte dos setores de fornecimento de energia e transporte, que são muito poderosos, estratégicos e têm grande influência nos governos de todo o mundo. Em suma, o objetivo final seria reduzir fontes de energia poluentes e promover fontes de energia renováveis. Ou seja, mais painéis solares, mais fontes de energia geotérmicas e eólicas, usinas hidrelétricas e outras tecnologias que produzem pouca ou nenhuma emissão de CO2.
Isso ajudaria no processo que chamamos aqui de “resfriamento global”. Da mesma forma, se 100% dos carros e ônibus fossem elétricos, o termômetro também diminuiria. O mesmo aconteceria se as emissões de metano e outros gases poluentes que saem da decomposição de lixo, gado e alimentos também fossem reduzidas.
Uma outra questão importante é a redução do crescimento da população mundial. Famílias menores produzem menos resíduos. E menor crescimento da população significa que teríamos menos pessoas poluindo.
Tudo isso ajudaria a fechar a torneira de carbono, que a gente mencionou na metáfora da banheira. Mas lembremos que a estratégia para enfrentar o aquecimento global não passa só por fechar a torneira, mas também por abrir o ralo. O que seria basicamente evacuar o dióxido de carbono que já existe na atmosfera.
Isso pode ser alcançado através da plantação de mais florestas e redução do desmatamento. As árvores são importantes porque absorvem o carbono do ar, o que reduz a concentração deste gás na atmosfera. Mas é preciso tomar cuidado neste ponto, já que a multiplicação de árvores sem planejamento e controle tem seus riscos.
Pode afetar a biodiversidade e o bom funcionamento dos ecossistemas, por exemplo. Uma outra maneira de ajudar a abrir o ralo é o desenvolvimento de tecnologias que desempenhem a mesma função das árvores, que é a de absorver dióxido de carbono. Lembra que lá no início eu falei da boa notícia de que tecnologias estão sendo desenvolvidas para ajudar no resfriamento do planeta?
Então, a má notícia é que estamos muito longe do nosso objetivo atualmente. Já existem tecnologias deste tipo e os cientistas se empenham atualmente no aprimoramento delas. Mas as que foram desenvolvidas até o momento têm muitas limitações e são caras E enquanto cientistas ainda tentam encontrar a melhor maneira de abrir o ralo da banheira, o que parece mais objetivo e urgente é fechar a torneira de CO2.
Mas isso não tem sido feito. Em 2021, a Agência Internacional de Energia informou que as emissões globais de dióxido de carbono terão o segundo maior aumento da história. E isso é exatamente o oposto do que o planeta precisa.
Um planeta que sabemos como resfriar, mas que continuamos esquentando. Fato é que só com uma combinação de ações seria possível atingir a meta, e evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5 graus até 2100. Com isso, eu fico por aqui.
Se você ainda não fez, se inscreva no nosso canal do YouTube para ficar por dentro dos novos vídeos. É só clicar no sininho que fica embaixo do player. Até a próxima!